Planos alternados para Curt Jaimungal

Olhos nos olhos


fixamente ocultos na palavra


auscultadores frontais


numa transcendência teorética


e sinais cósmicos.


 


Navalha que rasga a cortina


que rege leis


de um universo grotesco


que perde atrito fúngico


Non Fungible Token


(a sua face, uma imensidão física)


de materia negra e ghost in the shell.


 


Prompts de AI imaculadamente


adversas ao sinistro apocalipse sinusoidal.


Tertúlia afrodisíaca


e bárbara


sobre as adivinhações estético-divinas.


 


Aparições gravitacionais.


Queijo sobre a mesa e vinho branco.


Teorias de tudo, 3 horas


de profunda consolidação da matéria.

Aparição mariana num maço de tabaco

O teu fumo passa-me pela fronha


camuflando o perfume


a artilharia pesada.


 


Panzer de nails feitas à pressa


numa espelunca qualquer.


 


Bombardeaste uma cidade inteira


de pregos para o caixão.


Fumas.


Degustas uma linha de napalm


num tapete de alcatrão e cadáveres.

Imagiologia de um poço extravagantemente fundo

Mediste os crivos.


Mediste os traços de asfalto


TAC cervical de uma fractura


de sentimentos


exposta.


 


Telepaticamente mediste


a cobertura do poço antropofágico


que te absorveu por inteiro

Falange distal

Saliência apócrifa


atrito selvagem


lavagem de dinheiro


em que tu soubeste


que lavavas a alma


recortada de dívidas.


 


Um monte em bico supera


as expectativas aglomeradas


um IP, um DNS


carros flutuantes.


 


Usavas calças desgrenhadas


sujas de inverno


e chegaste arreigada


plantada num vaso directo.


 


Há cheiro a morte aqui.


Há bílis.


 


Deita por terra a manta esquálida.

Vitrine póstuma

Arranco de manhã


pela colina horizontal


um campo de veludo


sintético.


 


Arranco pela noite


um arranjo


relva falsa


superlativa forma


ao ver brotar areias movediças


e flores no meu túmulo.